Storytelling e o Acoplamento Neural

Imagine um copo de água gelada, mas não um copo qualquer. Imagine um daqueles bem altos, transparente e de bordas brilhantes, com cubos de gelo tilintando contra os lados, frio ao toque, ao tocar os seus lábios, o líquido cristalino refrescante deslizando na sua boca até você engolir a bebida.

Embora neste momento não esteja tomando uma bebida, os circuitos do seu cérebro conseguem visualizar o copo, ouvir o gelo tilintar, sentir a superfície fria, bem como o levantar do copo e o engolir a água foram ativadas como você imaginou a experiência.

Sabe por que isto acontece?

Cérebros em Sincronia

Em Storytelling, chamamos este fenômeno de Cérebros em Sincronia.

No cinema, por exemplo, as pessoas sentam-se umas ao lado das outras em uma sala de projeção enquanto assistem o filme e experimentam sensações de medo, prazer, repulsa e assim por diante, isto é, têm uma experiência única do ambiente, os seus circuitos cerebrais disparam em padrões semelhantes. Se alguém em uma sala disser a palavra “elefante”, todos os circuitos cerebrais dedicados ao conhecimento dos elefantes serão ativados, embora não haja nenhum elefante na sala.

Sabemos que falar e ouvir é uma atividade mútua. A pesquisa em Neurobiologia Interpessoal tem demonstrado essas conexões há cerca de uma década. Mas o que sabemos sobre as nossas histórias e conversas diárias, aquelas em que temos à mesa de jantar ou na sala de reuniões da empresa, ou pelo Skype numa videoconferência?

Pesquisadores da Universidade de Princeton, por exemplo, fizeram essa pergunta e projetaram um método para descobrir o que acontece nos nossos cérebros durante essas situações em que intercambiamos histórias, num processo envolvendo falantes ‘contando’ uma história pessoal não ensaiada, falando como se fosse para um amigo ou colega. Enquanto esses falantes contavam a história, os pesquisadores usaram um fMRI (siglaa, em inglês, de Imagem por Ressonância Magnética Funcional) a fim de mapear os circuitos cerebrais dos mesmos. Mais tarde, outras pessoas ouviram as histórias gravadas enquanto também tendo os cérebros mapeados por um aparelho de fMRI. Além das varreduras cerebrais, os ouvintes foram avaliados quanto à compreensão.

E sabe o que descobriram?

O que os «storytellers» (bons contadores de histórias) sempre souberam desde tempos imemoriais: há um acoplamento neural.

 

E o que é acoplamento neural?

As varreduras mostraram que, à medida que os ouvintes ouviram a história, os seus cérebros começaram a espelhar ou «casar» com o cérebro do falante. Para alguns ouvintes, houve um ligeiro atraso no espelhamento do cérebro do falante, porém, à medida que o nível de compreensão aumentava, o nível de espelhamento também aumentava – eliminando o atraso. No nível mais alto de compreensão avaliada, as varreduras cerebrais do ouvinte, na verdade, precederam as do falante. Impressionante!

O experimento foi repetido usando a mesma história, mas contada, digamos, em russo para falantes de inglês. Neste caso, as varreduras cerebrais resultantes não mostraram acoplamentos significativos em nenhuma região cerebral entre falante e ouvinte. O acoplamento é o resultado da compreensão mútua. É a base física e neural da comunicação mútua. Nossos cérebros se sincronizam quando nos comunicamos de forma mais eficaz, quando contamos histórias que interessam os outros, quando conseguimos levar os outros a prestar atenção e compreender o dizemos. Conclusão: nós ‘clicamos’. Uma história bem contada faz-nos ‘clicar’.

Daí o Storytelling ser uma ferramenta essencial para melhor comunicação, quando mais você dominar os elementos subjacentes às histórias – o que chamo de sintaxe das histórias – mais fácil será para que seja capaz de levar outra pessoa a ‘clicar’ com você. Em resumo, este é o segredo não só para escrever um grande romance, um grande filme ou uma fabulosa séria para o Netflix, mas, sobretudo, para persuadir, negociar ou vender. Daí também é você ficar ligado para não se deixar levar por quem acha que Storytelling é algo inventado ou desenvolvido pelos norte-americanos, muito antes pelo contrário! Veja que, se você usar uma estrutura da língua russa para se comunicar em português não vai funcionar. Cada cultura, cada língua, cada situação demanda técnicas diversas de utilização e manipulação dos princípios subjacentes às histórias.

Enquanto o cérebro de cada pessoa seja único, o ato de comunicação dentro do mesmo universo linguístico e cultural alinha os circuitos cerebrais dos falantes com os ouvintes – de quem conta a história com quem escuta a história. É intuitivo percebermos quando estamos “clicando” com uma pessoa ou com uma audiência ou quando as coisas estão emperradas e a audiência está a ponto de parar de pensar no que dizemos e pensar em outra coisa.

Isto é sério, não é mesmo? Haveria como aumentar as chances, isto é, a hipótese, de que níveis mais altos de acoplamento neural ocorram?

Há!

Basta você descobrir como as histórias funcionam para você e para as pessoas que o circundam. Como ‘Storytelling’ virou moda, muita gente fala do assunto sem ter uma compreensão real, nem mesmo formação ou experiência, para oferecer um processo efetivo para aumentar a comunicação por intermédio de histórias. Daí você, que deseja ou precisa usar histórias, ter a coragem de questionar se as ‘fórmulas mágicas’ dispensadas pelos ‘doutores’ realmente promovem a compreensão, o reconhecimento, a previsão e a ação. Ou seja, os ouvintes serão capazes de prever o que o falante dirá em seguida, ocorrerá um maior nível de acoplamento neural, compreensão e internalização da mensagem pelo cérebro do seu interlocutor?

Os líderes de organizações, grandes vítimas das ‘fórmulas mágicas’ para aumentar as probabilidades de acoplamento neural, são os primeiros com que mais me preocupo, pois necessitam ‘clicar’ e estar em sincronia com seus ouvintes, o bem-estar dos seus liderados, para dizer o mínimo, depende disto. E isto é apenas o começo!

Não há ´fórmulas’, não há ‘assim funciona Hollywood’, não há NADA escrito em pedras. Sem os Dez mandamentos, significa que você, e quem vai lhe auxiliar a melhor usar os princípios subjacentes às histórias, terá que entender do assunto. Storytelling é uma ciência, um tronco com muitos galhos e galhos com muitos ramos e ramos com muitas folhas e folhas com muitas nervuras. A próxima fronteira será encontrar os correlatos comportamentais do acoplamento neural, que ainda desconhecemos, apesar dos inúmeros blogues e livros com ´formulas mágicas’ e cursilhos de ‘domine os Storytelling em apenas três horas por meia dúzia de tostões’. Em outras palavras, o que, então, resta-nos fazer para aumentar a eficácia da comunicação e a sincronização cerebral?

Simples! Entendermos como funcionam as histórias é o passo inicial e pode ser uma das melhores opções atualmente disponíveis e lembramos que, quem oferece ‘fórmulas mágicas´ não são os doutores, mas os charlatães.

Precisa saber mais?

Conheça mais como o Storytelling pode mudar sua empresa

Veja a entrevista de James McSill ao Portal da Liderança ou escreva para nós:  james@bstorytelling.com.br

James McSill
James McSill
james@mcsill.com

Um dos consultores de histórias mais bem-sucedidos do mundo, autor, conferencista e filantropo.

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