Entrevista com James McSill – Parte II

E hoje vem a segunda parte da entrevista com o nosso querido James McSill \o/

Imagine-se em um bar, em um happy hour, ou em uma caminhada, e vem bater um papo mais descontraído com o James!

 

Qual foi a história mais curiosa que você já ouviu sem querer, em algum lugar público? 

Eu estava em um pequeno restaurante aqui no norte da Inglaterra com amigos ingleses, logicamente ‘vestido de inglesinho’ e falando inglês. Senta-se um casal de brasileiros e discutem abertamente e em voz alta em português o sexo a três que haviam feito naquela tarde e um pedia ao outro que não olhassem para a mesa onde eu estava sentado. Pela ‘descrição’ que fizeram do terceiro travesseiro na festinha, deu para eu ver que era alguém que conheciam e que estava sentado no meu grupo à minha mesa. Tudo bem até aí, só que quando me dei conta, caiu a fichinha que o fulano na minha mesa era um americano evangélico, pai de cinco filhos, que vivia moralizando a mim e aos meus amigos em razão da vida ‘devassa’ que levamos numa Inglaterra ultraliberal. Foi um daqueles momentos em que o Universo te dá um super hiper poder. Eu poderia acabar com ele, mas decidi tapar os ouvidos. Que direito eu teria? Na cidadezinha em que ela habita no Texas deve respirar hipocrisia. ‘Live and let live’, acho que os Beatles cantaram isto. Ou um inglês qualquer cantou.

 

 

Quais as suas principais fontes de inspiração?

Uma: a vida. Há outra?

 

 

Se sua vida fosse dividida em capítulos, em qual capítulo da sua história você está vivendo agora? 

Se cada capítulo fosse um ano, comecei nesta carreira em 1982, tenho 58 anos, quero me aposentar com 65. Portanto, estou entrando no capítulo 34 de mais 7 para encerrar, se eu sobreviver até lá. Em maio deste ano, sofri um acidente que poderia ter-me feito ir ter com o Criador no capítulo 33. Que, considerando, seria chique, o filho d’Ele retornou a casa com 33 anos de vida, eu, com 33 de profissão. Tive controle do início; se puder, rezo para ter controle do fim. Se eu ainda for saudável de corpo e mente com 65 anos, começo um novo ‘livro’ na minha vida. Adoro o que faço ou não trabalharia 14 horas ao dia meses a fio, sem descanso. Mas não me apego; se puder, repito, quero encerrar a minha missão com dignidade. Sempre levei uma vida muito simples pautada no ‘menos é mais’, então, não preciso de muito dinheiro para ser feliz. Resumo: em breve a batalha final e ‘the end’. Depois… Bem, isto a gente vê.

 

 

Quais experiências na sua vida que mais te influenciaram a seguir essa carreira?

Experiências, nenhumas. Ou quase. Circunstâncias, muitas. Muitíssimas! A principal foi eu falar dois idiomas com uma certa naturalidade e ter facilidade para aprender línguas. Se forem ao YouTube, vão me ver e ouvir arriscando, ou assassinando, um japonês básico. É o meu diferencial, aprendi a conversar com as pessoas sobre as histórias que as definem nas línguas em que elas se comunicam.

 

 

Só nós que adoramos anti-heróis?  Qual seu anti-herói preferido do cinema?

Scarlet O’hara! Não tem um livro que eu escreva que eu não a mencione ou inspire-me nela. Como eu era crescidinho com oito anos, eu entrava na matinê para ver ‘E o vento levou’ diversas vezes na semana. Confesso um pecado, eu ía para a primeira sessão e, no intervalo entre sessões, eu ficava no toalete até o iniciar a sessão seguinte. Vi o filme dezenas de vezes. Duas das frases pautam até hoje a minha vida: “Francamente, meu querido, não tô nem aí” (Frankly, my dear, I don´t give a damn.) e “Afinal de contas, amanhã é outro dia.” (Afterall, tomorrow is another day.) Uma curiosidade: há uns cinco anos, durante um seminário que eu ministrava em Atlanta, co-patriocinado pela prefeitura da cidade, proporcionaram-me como presente uma tarde inteira na casa da Margaret Mitchell, vendo como ela escreveu o romance, manuseando o manuscrito, sentado na escrivaninha e junto à máquina de escrever de onde foi gerada a história.

 

Como os leitores podem te acompanhar e se conectar a você?

Para acompanhar as minhas aventuras, podem ir ao meu Facebook e conectarem-se por lá. O meu álbum de fotos é aberto. Por exemplo, podem me ver nesta tarde de que falei, na casa da Margaret Mitchell, podem me ver “co-pilotando” um Airbus, aterrisando em Porto Alegre, eu palestrando para milhares de pessoas e pouco depois todo entubado num hospital. Aventura mesmo! Matando a cobra e mostrando o proverbial pau. Quem se interessar em ler o que eu escrevo, os meus livros devem estar nas livrarias, ou busquem no Google. Tem uns catorze, acho. Em breve, permitam-me uma chamadinha final, sai um sobre cinema, mais três do Book in a Box e mais um romance. A vida é curta e sou meio aceleradinho para realizar logo o que acho que deve ser feito. Detesto jogar vida fora!

 

Gabriela Kinaske
Gabriela Kinaske
gabriela@bstorytelling.com.br

The relationship between people and marketing is becoming more and more multisensory. This means that the value of a brands exists and is sustained by emotional plans, coexisting with business plans and objectives. Storytelling uses emotional aspects of communication and is one of the most powerful ways to communicate a brand. Giving products and services an identity, by capturing and creating authentic stories, takes the public to an immediate connection. Knowing, understanding and reproducing the story of your brand is a strategy that follows the changes of a highly complex market.

1 Comment
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    Josi Gomes
    Posted at 23:23h, 16 novembro Responder

    James é um fenômeno . Uma máquina de contar histórias ,além de fazer seus autores verdadeiros contadores de histórias. Altamente focado mas com um humor fabuloso, sem falar da generosidade grandiosa.

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