Garota Exemplar, de David Fincher

Se você ainda não assistiu, está perdendo a melhor história deste ano no cinema. Não vou fazer uma crítica de filme, mas focar na maneira como ele usa da estrutura do filme para construir as amarras da história. Esse filme lembrou-me muito Match Point, do Woody Allen, outro suspense em que me fez prender o fôlego algumas vezes.
Mas vamos começar do básico, o filme tem uma linha simples, um casal que a primeira vista parece perfeito. Vingança, traição, assassinato, investigação policial, manipulação. Nada que você já não tenha visto antes, mas não dessa maneira.

Quando falo para os meus clientes como usaremos o storytelling para manipular as emoções dos seus stakeholders, eles ficam um pouco ressabiados, afinal tudo isso ainda é um conceito novo para eles. Fincher faz a mesma coisa no filme. O que parece ser uma história ordinária, logo se transforma numa coisa muito maior, e ele parece se divertir com isso, nos fazendo de bobos, assim como faz com Nick, o personagem de Ben Afleck. Nunca sabemos o que está para acontecer.
O “como contar” a história se sobressai tanto, que a partir de um momento, não torcemos mais para esse ou aquele personagem. Apenas queremos saber como termina. Os vários pontos de vista é que acabam contribuindo para criarmos esse distanciamento com os personagens. Mesmo aproximando-se do final, o filme ainda nos revela partes importantes da trama, provocando algumas reviravoltas que nem em sonho esperávamos. Só o que podemos fazer é aguardar pelo final, reféns de Fincher e do seu storytelling.

Thiago Amadigi
Thiago Amadigi
thiago@bstorytelling.com.br

Co-founder da B! e filmmaker. Star wars, vídeo game e Madonna, sempre. Tenho dificuldades para me equilibrar na cadeira do escritório. Gosto de discutir os grandes temas da vida: MasterChef, política e cinema. Nessa ordem.

No Comments

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.