Storytelling: de Aristóteles ao universo expandido

Aviso! Esse vai ser um post meio viagem. Com uma pegada mais existencialista. Se você se esforçar, até consegue ver algum link com o sensacional filme do Christopher Nolan, Interestelar. Ta, talvez aí eu esteja forçando a barra, vai. Vamos ao que interessa.

 

A história é o princípio organizador da realidade.

O mundo ao nosso redor é feito de átomos, prótons, nêutrons e elétrons – mas é a história que dá sentido e forma a eles. Desde a criação dos primeiros mitos, que formaram nossas civilizações e definiram nossa cultura, a história está no centro do que é ser humano. Como assim? Vamos iniciar nossa viagem!

 

 

Aristóteles e teatros gregos: pouco mudou

Mais de 2500 anos atrás, Aristóteles adicionou estrutura ao que antes era puramente intuitivo na construção das histórias.
Ele evidenciou os princípios nos quais o storytelling é baseado e até hoje, roteiristas, escritores, publicitários ( e quem mais quiser…), recorrem aos seus fundamentos sobre a estrutura narrativa.
Ainda que muitos fundamentos sejam os mesmos, as ferramentas com as quais contamos histórias obviamente mudou.

Os teatros gregos ao ar livre foram substituídos por telas de IMAX.
As experiências, entretanto, não são assim tão diferentes.
Apesar da habilidade do cinema de ultrapassar gerações, mesmo as mais sofisticadas experiências lá dentro, lembram os dramas gregos. É a mesma estrutura narrativa.
Isso não significa que o storytelling vai permanecer o mesmo para sempre.
Chegamos agora num importante ponto de virada na evolução do storytelling.
Tecnologias revolucionárias como a internet, a realidade virtual e a inteligência artificial irão mudar a forma da narrativa para sempre.

 

 

Tecnologia: O ponto de virada

Pense nesta trajetória: mais de 2000 anos se passaram para os teatros ao ar livre evoluírem para o cinema, e aí, com a chegada da internet, o cenário mudou completamente.
Os computadores pessoais, a internet, e os smartphones apresentaram uma interatividade absurda ao storytelling, dando a qualquer um o poder de criar e compartilhar histórias.

A imersão que temos hoje na tecnologia atingiu níveis em que muitas vezes, temos dificuldades em saber onde termina a realidade e começa a ficção.

Helen Papagiannis, uma expert em realidade virtual, afirma “nosso mundo é um holograma”, e provoca: “as nossa realidades simuladas são menos verdade do que o mundo em que vivemos? Se a história organiza a realidade, então, não é só o storyelling que muda com a tecnologia, mas a própria natureza da realidade!”

 

 

Tecnologia como uma extensão de nós mesmos

Terence McKenna descreve a tecnologia como “a pele real da nossa espécie”.
Storytelling e Tecnologia, são inseparáveis e se a tecnologia é a extensão de nossas mentes hoje em dia, histórias são a extensão de nossos pensamentos.

Joseph Campbell, o antropologista e mitólogo que escreveu “O Herói das Mil Faces”, diz: “se você quer mudar o mundo, precisa mudar a metáfora.
Pessoas amam metáforas porque nós todos somos feitos de metáforas. A realidade física que experienciamos através de nossos sentidos – a chamada realidade objetiva – é só uma metáfora para a consciência intangível, da qual surge a vida.

Para o filósofo francês Pierre Teilhard de Chardin, “Nós não somos seres físicos tendo uma experiência espiritual, mas sim seres espiriturais tendo uma experiência física”. O propósito do storytelling é acessar além da experiência física, lançar luz aos nossos aspectos mais internos.
As melhores histórias não são as que recontam fatos mas aquelas que revelam os mistérios da experiência humana, que iluminam o inexplicável e que colorem a vida com sentimentos, emoções e outras dimensão mais obscuras da nossa existência.

Aristóteles disse “A poesia é mais fina e mais filosófica do que a história; porque a poesia expressa o universo, e o história somente o detalhe.”

 

 

O universo expandido

O que conhecemos do universo não para de expandir. A tecnologia nos deu a habilidade de ver mais e além. Todos os dias, cientistas fazem novas descobertas, e o universo do desconhecido, diminui.
Enquanto os mistérios da natureza humana desaparecem, nós eliminamos as fronteiras da imaginação, a fonte da nossa criatividade e criação.

“A arte”, diz Aristóteles “deve representar não a aparência externa das coisas, mas os seus significados internos.”

Quando criamos realidades alternativas por meio da tecnologia, vamos além de nossas próprias consciências, assim como o próprio storytelling em si, que vai muito além das experiências físicas.

É isso: o storytelling e a tecnologia devem continuar criando, diminuindo fronteiras e conectando-nos a quem realmente somos, deixando-nos em contato com nossa natureza mais espiritual.

Passamos, enquanto humanidade, tanto tempo explorando fronteiras, buscando por vida fora da terra… enquanto não percebemos que as histórias criadas por aqui mesmo, podem nos trazer respostas existenciais.

Não importa se você é filósofo, marketeiro, político, ou poeta. São as suas histórias que criam o mundo ao seu redor.

Somos contadores de histórias? Não, somos criados pelas histórias. Contar histórias é uma verdadeira jornada dentro de nós mesmos!

Traduzido e adaptado de MemeBurn 

Gabriela Kinaske
Gabriela Kinaske
gabriela@bstorytelling.com.br

The relationship between people and marketing is becoming more and more multisensory. This means that the value of a brands exists and is sustained by emotional plans, coexisting with business plans and objectives. Storytelling uses emotional aspects of communication and is one of the most powerful ways to communicate a brand. Giving products and services an identity, by capturing and creating authentic stories, takes the public to an immediate connection. Knowing, understanding and reproducing the story of your brand is a strategy that follows the changes of a highly complex market.

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