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Rogue One Uma História Star Wars

 

A muito, muito tempo atrás num planeta nem um pouco distante, estreava nos cinemas um filme, que com sua ousadia, história cativante e personagens bem definidos, mudaria a maneira como assistimos filmes para sempre. Nascia o cinema de entretenimento que levaria milhões de expectadores não apenas ao cinema, mas que se tornariam ávidos consumidores de tudo quanto é tipo de produto com a marca do filme. Esse é o consumidor que os filmes de hoje tentam agradar e com o novo Star Wars não é diferente. Rogue One – Uma história Star Wars, tem todos os elementos clássicos que os outros filmes possuem: o casal protagonista, o droid que é o alívio cômico, o ancião sábio e o vilão determinado em cumprir seus objetivos. Segue à risca a narrativa da jornada do herói consagrada pela série e exportada para uma infinidade de filmes e blockbusters mundo afora. E isso não é ruim. Sua história é bem desenvolvida com personagens com quem você cria afinidade. Torce por eles.

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Estrela da Morte sendo completada

Não é difícil imaginar o que acontece no final, uma vez que sabemos que a Aliança Rebelde consegue os planos da Estrela da Morte e essa é a linha condutora do primeiro filme da franquia lançada em 1977. A novidade neste filme é como a Aliança consegue roubar os planos. Essa história é totalmente nova. Nova também é a abordagem. Como Rogue One não é um episódio da série, mas sim uma história à parte, seus criadores puderam ousar, tanto na cinematografia quando na narrativa em si. Primeiro a história não é focada em personagens conhecidos da série. Quase todo mundo é novo para nós no universo, por isso o filme funciona sozinho, sem necessariamente precisar ter assistidos os outros filmes da série para entendê-lo. Claro que conhecer as trilogias anteriores aumenta em muito a experiência, principalmente porque Rogue One está cheio de easter eggs escondidos, o que torna a busca por referências um ponto positivo à parte no filme. Em suma, o novo filme da franquia Star Wars é muito bom, acima da média das prequels, lançadas nos anos 2000, e em minha opinião, o melhor filme de todos os oito lançados, perdendo apenas para O Império Contra-Ataca. Se você ainda não assistiu e não quer saber de spoilers, melhor parar por aqui. Nesta segunda parte faço uma análise mais profunda do filme, onde se torna impossível não mencionar momentos importantes da história.

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Ataque Rebelde em Scarif

Até que enfim temos um filme de guerra que o nome Guerra nas Estrelas tanto prometia. Os outros filmes da saga entregavam apenas batalhas. Nunca havíamos entrado tão profundamente no campo de batalha, presenciando os horrores e a devastação que os conflitos armados provocam. É muito convincente as motivações dos rebeldes que participam da incursão em Scarif, local da última batalha do filme. Para eles o estilo ditatorial do Império não é aceitável. Interessante perceber o quanto A Aliança tem dificuldade em se definir. Uma hora é uma entidade, e na outra apenas rebeldes. E Rogue One ajuda nesta definição.

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Base da Aliança Rebelde

O modus operandi da Aliança, em que muito se parecia como uma guerrilha em Retorno de Jedi, neste filme deixa claro que esta é a única maneira que eles possuem para combater o poderoso Império Galáctico, muito superior em tudo, desde organização até tecnologia. Por falar em organização, eu sempre tive uma certa dificuldade em entender o que era viver sob o domínio do Império. Um dos pontos mais legais das prequels foi apresentar como era a vida na galáxia, com mundos exuberantes, livres, e os conflitos que surgiam aqui e acolá. Na trilogia original, em que os mundos já viviam sob o domínio do Império, não temos noção do que acontece pela galáxia, apenas ouvimos relances de acontecimentos ou de implicações políticas que ações acontecidas provocaram. Só tem uma noção do que o Império realmente significa, se você acompanha as histórias fora dos filmes, como por exemplo a série animada Star Wars Rebels. Em Rogue One fica muito claro o quanto opressor e o quão vasto são os domínios do Império. Uma surpresa foi descobrir o quão burocrático é a Aliança rebelde, com seu conselho incapaz de perceber a grande chance que lhes escapa por entre os dedos.

Rogue One: A Star Wars Story Director Krennic (Ben Mendelsohn) Ph: Jonathan Olley �Lucasfilm LFL 2016.

Director Krennic (Ben Mendelsohn)

Como estava com saudades de um pouco de política para ajudar no contexto da história. A história aliás pode parecer redundante num filme em que sabemos como termina. Com o plot principal focado no roubo dos planos da Estrela da Morte, importante entender que por não ser um episódio da série, o filme precisa funcionar sozinho. Por isso através das histórias das personagens somos apresentados ao storyline principal e do qual por causa de suas crenças, ligações e acontecimentos, se veem no meio de algo muito maior e impossível de não participar. As participações especiais, e são várias as surpresas, dão um toque de nostalgia, o que só ajuda no desenvolvimento da narrativa, pois sabemos por antemão, por causa das histórias anteriores, o envolvimento e a participação nos eventos que acontecem em ritmo frenético. O último ato da história é de perder o folego. Como já é tradição nos filmes de Star Wars, acompanhamos três histórias que acontecem paralelamente, uma influenciando os acontecimentos da outra e que levam a um final inesperado, para dizer o mínimo. Rogue One é uma bela adição à série de George Lucas, apresentando uma nova maneira de ver as trilogias e que com certeza só aumentará a já muito grande base de fãs.

Thiago Amadigi
Thiago Amadigi
thiago@bstorytelling.com.br

Co-founder da B! e filmmaker. Star wars, vídeo game e Madonna, sempre. Tenho dificuldades para me equilibrar na cadeira do escritório. Gosto de discutir os grandes temas da vida: MasterChef, política e cinema. Nessa ordem.

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