estruturar história

Que significa estruturar uma história?

Quando falamos em estruturar uma história, nos referimos a maneiras de arranjar e rearranjar os elementos de um texto para que eles formem uma espécie de estrada por onde a audiência sente que chegará a algum lugar. Assim, pode-se afirmar que a estrutura é a conse­quência do léxico e da sintaxe da história, das palavras que escolhemos e da ordenação dos elementos das cenas, das cenas em si (“momentos em que”), dos capítulos, das partes da história ou de quaisquer outros elementos sintáticos da trama que venhamos a criar para comunicar nossa história ao outro.

Vamos, então, a um exercício bem simples, rudimentar, a respeito de como estruturar uma história. Comece respondendo, ou melhor, anotando as respostas para essas perguntas em uma folha de papel:

Você deseja encantar outra pessoa, pelo menos, por uma das razões a seguir?

·       Para ela se dar conta de algo que desconhecia, totalmente ou em parte;

·       Para que tenha desejo de experimentar;

·       Tenha a vida dela transformada ou

·       Torne-se um fã ardoroso.

 

Decidiu-se por uma?

Pois bem, essa será a sua razão principal. Agora, decida por outro dos três motivos restantes.

heroi 2

Em suma, você precisa ter uma boa resposta, uma boa razão para escrever o livro – isto vale para a peça, o filme, a palestra, etc. –, para encantar. Ou seja, produzir uma história de sucesso é trabalhar para a audiência – quem lê, ouve ou assiste – não ser mais a mesma pessoa depois de passar pela experiência de leitura da história que você criou e narrou. Toda história tem de ser transformadora.

Agora que você tem as razões, vai precisar do veí­culo para disseminar a história. Como transmitir uma história que lhe (co)move, mas que está escondida no seu cérebro, para o cérebro da outra pessoa? Como irá realizar essa façanha e ainda levar essa pessoa a se emocionar também? A boa notícia é que nascemos com cinco ‘estradas’ que, se bem trabalhadas, transportam as histórias de nosso interior para o dos outros, mudando, em alguma medida, a vida deles. As cinco estradas são os cinco sentidos!

Então, agora, é com você!

Resgate a história que você planejou e replaneje, desta vez, detalhando como vai levar sua audiência a:

·       Ver o que você viu;

·       Sentir os aromas que você sentiu;

·       Ouvir o que você ouviu;

·       Sentir as texturas que você sentiu e

·       Sentir os gostos que você sentiu.

Cada um de nós tem um jeito de fazer isto, mas a melhor forma é evidenciar, em vez de apenas contar ou impor ao outro que sinta alguma coisa.

Por exemplo, vou pegar o paladar, que é bem complicado de levar do meu cérebro para o seu. Imagine que eu diga a você: “sinta nojo!” ou “naquele momento Maria sentiu nojo”. A informação ficou vago. Se me pedem para “sentir” alguma coisa, aí que endureço o coração e nada sinto! Então, em vez de dizer a você “sinta nojo”, vou contar uma historinha:

Duas senhoras idosas estavam tomando café da manhã num restaurante. Ethel notou alguma coisa engraçada na orelha de Mabel e disse:

– Mabel, você sabe que está com um supositório na sua orelha esquerda???

Mabel respondeu:

– Um supositório na minha orelha??

Ela o puxou, olhou para ele e então disse:

– Ethel, estou feliz que você tenha visto! Agora acho que sei onde encontrar meu aparelho auditivo…

Ou seja, agora você deve ter sentido o “nojo” que eu queria que você sentisse.

Vou mostrar outro exemplo: se eu disser para você “sinta-se enojado, mas ria” ou “Maria sentiu nojo do que ouviu, ainda assim achou engraçado” você não terá a menor noção do que é esta sensação, pois jamais experimentou nada assim. Para você vivenciar algo parecido, eu teria de contar uma história mais ou menos assim:

 “Uma loira pergunta à outra:

– Você acha que tem problema se eu tomar pílula com diarreia?

Ao que a outra, “ainda mais loira”, responde:

– Acho que não. Mas por que é você não toma com água?”

Claro, não precisamos usar uma piadinha o tempo todo, podemos recorrer a uma frase, a uma metáfora. Por exemplo, outro dia, algué­m me desafiou a transmitir um aroma para o cérebro dele. Eu simplesmente disse: “Se você acha que a sua vida é um drama, imagine a vida daquele gambá cego que se apaixonou por um peido!”.

(Parando uns segundos!)

Para quem não está bem certo do que é uma metáfora e não quer ir à internet, trago a internet a você: Metáfora é uma figura de linguagem em que se usa uma palavra ou uma expressão em um sentido não muito comum, revelando uma relação de semelhança entre dois termos. Provém do latim “meta” – algo – e “phora” – sem sentido. Esta palavra foi trazida do grego, onde metaphorá significa “mudança” e “transposição”Trata-se da comparação de palavras quando um termo substitui outro. É uma comparação abreviada em que a palavra não está expressa, mas subentendida. Por exemplo, dizer “o meu amigo é um touro, levou o móvel pesado sozinho” não significa, obviamente, que ele é um touro ou se parece fisicamente com o animal, mas que é tão forte aponto de fazê-lo lembrar um touro. Neste exemplo, existe a comparação da força do animal e do in­di­ví­duo. Esta figura de linguagem corresponde à substituição de um termo por outro, por meio de uma relação de analogia. É importante referir que, para a analogia ocorrer, devem existir elementos semânticos semelhantes entre os dois termos em questão.

(Continuando…)

estruturar histórias

Usando historinhas ou linguagem figurada, como as metáforas, pormenorize na sua folha de planejamento – ou na tela do computador onde está estruturando uma história – quais subterfúgios usará para levar as sensações do seu cérebro ao cérebro de outra pessoa e, assim, fazê-la reagir!!!!

Feito isto, você já terá uma história minimamente estruturada ou, pelo menos, pronta para uma estruturação mais adequada. O grande erro é tentar estruturar uma história que não existe! Crie primeiro, estruture depois – óbvio!!!!

Ocorre que a estrutura, ou seja, como você vai transferir esta história para o outro, não é parte do processo criativo, mas o resultado, o subproduto, a conse­quência de pensar no que você precisa dizer para encantar o outro! Mas você já não estará criando? Estará!

Afinal, o processo criativo é natural, tal como a nossa capacidade de falar; a gente está sempre criando. Ou seja, capacidade de falar todos nós temos; já as regras e princípios da estrutura do discurso, aprendemos, e elas nos auxiliarão a “fazer amigos e a influenciar pessoas” para que comprem o nosso produto, por exemplo.

O mesmo se aplica à analogia de caminhar sobre duas pernas: intuir que uma história tem princípio, meio e fim é natural, mas ser um corredor de primeira e ganhar uma Olimpía­da é algo que se desenvolve – primeiro, deve-se aprender os princípios, depois, basta aplicar as técnicas para alcançarmos o feito.

Conheça mais sobre James McSill

Post originalmente postado no LinkedIn de James McSill

James McSill
James McSill
james@mcsill.com

Um dos consultores de histórias mais bem-sucedidos do mundo, autor, conferencista e filantropo.

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