Lições de Storytelling com Hitchcock

Alfred Hitchcock, cineasta britânico, diretor de clássicos como Psicose e Os Pássaros, o eterno rei do suspense e mestre da manipulação.

hitchcock storytelling

Ele não precisou gastar milhões para criar histórias imbatíveis, ele ‘apenas’ dominava técnicas de storytelling.

Você não precisa ser um filmmaker para emprestar algumas das técnicas de Hitchcock. A sua abordagem ao strorytelling transcende o cinema e pode ser aplicada a vários meios. Vamos às melhores técnicas de storytelling que ele utilizava:

 

Deixe que os personagens contem a história

Algumas das cenas mais interessantes nos filmes de Hitchcock não são as cenas de ação mas sim os diálogos (ou a falta de diálogo) entre os personagens. A escrita de diálogos é uma das técnicas mais difíceis no cinema. Cinema não é novela. Nada de blablabla’s ou diálogos inúteis para a trama. Filme é antes de tudo, a arte visual. Se fosse a arte do diálogo, seria rádio. Um bom diretor não tem medo de usar o silêncio, e quando usa a fala, ela é sempre propositada. Fernando Bonassi, roteirista brasileiro, disse uma vez:

“Eu abandono um filme imediatamente se um personagem diz um bom dia sem um motivo dramático pra isso.”

Algumas conversas nos filmes de Hitchock podem ser longas, mas nunca são chatas ou inúteis.

Lição de casa: Sem diálogos inúteis. Se você tem algum material verbal interessante que torne sua história mais apelativa, inclua à sua história. Pode ser alguma passagem de entrevista, por exemplo.

 

Não coloque todas as suas cartas na mesa

Suspense. Tensão. Você grudado na cadeira, sem piscar. Você não é louco de perder a próxima dica para chegar à solução. Em Psicose, por exemplo, a audiência não sabe o que esperar no início do filme, nada é muito claro. Em pouco tempo, tá todo mundo envolvido com o mistério do assassinato. Quem, como, quando, por que? Ahhhhh!!! Isso deixa qualquer telespectador preso à história, pois ele não tem todas as respostas logo de cara.

Lição de casa: No storytelling online e no webdesign, geralmente coloca-se a informação mais importante no topo da página ou no começo do audio ou vídeo. Na maioria das vezes, funciona, mas pode gerar um efeito colateral: se a audiência sabe exatamente o que esperar, talvez ela não tenha incentivo para continuar lendo, ouvindo ou assistindo. Deixe sua audiência sempre querendo saber mais!

 

Histórias devem espiar as vidas das pessoas

A perspectiva de um personagem é um recurso que coloca o telespectador fora de sua realidade, o que é o que qualquer um espera do cinema, certo? Você dá parte do seu tempo e dinheiro e espera que aquela história te transporte, te faça esquecer dos seus problemas e te ajudar a ver sua própria vida com outros olhos. Como é viver na pele de outras pessoas? Somos animais curiosos.

 

HitchcockO Homem Errado (1956)

Lição de casa: sempre que puder, tire seu público de suas vidas e os transporte para dar aquela espiada na vida alheia. Pode até fazer isso mostrando os próprios consumidores uns aos outros. Recentemente vi uma campanha do Outback, que pede que os consumidores enviem suas histórias relacionadas ao restaurante para a página no facebook deles. Eu pelo menos, super dei uma espiada numa história que contava sobre como um casal se conheceu no restaurante.

Crie algo único e que seja imitado

Hitchcock é famoso por ums de suas técnicas únicas de zoom, que foram copiadas em filmes como “Tubarão” e “Poltergeist”, o “dolly zoom”. O efeito que esse zoom dá em Um Corpo que Cai é incrível! Veja só, porque se eu explicar, não vai ter a mesma graça:

 

Lição de casa: Não pense fora da caixa, afinal, não existe caixa. Não sei se fez sentido, mas li essa frase essa semana e queria usar ela. Enfim. Criatividade não tem como ser ensinada. Mas INOVE! Seja criativo, crie algo novo! Por qual técnica de storytelling você quer ser copiado?

 

Áudio e vídeo devem ser cativantes e efeitos especiais não precisam ser assim tão especiais

Em Os Pássaros, uma das partes mais dramáticas e intensas do filme são os pássaros fazendo barulhos antes ou durante os ataques. Em algumas das cenas, esses sons são os únicos recursos de áudio. Por outro lado, Hitchcock disse que um bom filme pode ser visto sem som e mesmo assim o telespectador entende tudo. Os efeitos espeiciais não devem te distrair e tirar o foco da história. Hitchcock dirigiu mais de 30 filmes em preto e branco antes de dirigir o primeiro em cores, em 1948.

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Os Pássaros (1963)

 

Lição de casa: Em sua história, grave áudios que ilustram melhor a sua cena. Se você não domina as artes do áudio e vídeo, deixe para quem entende. Não basta achar que uma história boa faz milagres sozinha. Por outro lado, sua apresentação pode conter recursos flash e ter um design incrível, desde que isso não se sobreponha à história. Não deixe que a tecnologia te distraia do storytelling! Nem de mais, nem de menos.

 

Nem tudo será imediatamente popular

Um Corpo que Cai, um dos filmes mais famosos de Hitchcock só fez sucesso 25 anos após ser lançado. Hoje considerado um clássico e mundialmente estudado.

Lição de casa: A gente sabe que você gastou tempo e dinheiro para criar o seu material, e quer que ele viralize, que seja convertido em resultado e tudo mais. Mas paciência, as vezes não é assim. Lembre-se de deixar seu material disponível após as primeiras publicações e assim, você terá mais chances de tornar a sua história popular: agora, ou mais pra frente.

 

Deixe a história simples

E por último, mas não menos importante: elimine informações desnecessárias e chatas. Para Hitchcock,

“Filme é a vida sem as partes chatas.”

Lição de casa: Não dê motivos para seu público clicar para fora das suas histórias, portanto, cuidado com os anúncios e distrações desnecessárias em sua página.

 

Adaptado do How Alfred Hitchcock can make you a better storyteller

Gabriela Kinaske
Gabriela Kinaske
gabriela@bstorytelling.com.br

The relationship between people and marketing is becoming more and more multisensory. This means that the value of a brands exists and is sustained by emotional plans, coexisting with business plans and objectives. Storytelling uses emotional aspects of communication and is one of the most powerful ways to communicate a brand. Giving products and services an identity, by capturing and creating authentic stories, takes the public to an immediate connection. Knowing, understanding and reproducing the story of your brand is a strategy that follows the changes of a highly complex market.

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