Entrevista com James McSill – Parte I

Se você não esteve morando em Marte (Matt Damon, é você?), deve saber quem é James McSill…

Mas nós gostamos tanto dele que vamos repetir. James é coach literário, agente, palestrante, escritor e um dos consultores literários mais bem-sucedidos do mundo.

E o mais importante: nosso super-heroi, também conhecido como consultor, aqui na B!

 

Ele é desses que você consegue conversar de tudo, desses que sempre está com um sorriso no rosto, desses que inspiram.

As conversas com o James não têm preço.

 

Hoje apresentamos a primeira parte da entrevista que realizamos com ele, sobre técnicas de storytelling!

 

Com vocês, o nosso querido Jamie:

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Para quem não te conhece, como você gostaria de ser apresentado?

James McSill. Consultor de Histórias, ou Story Consultant, que soa ‘mais chique’ em certos círculos.

 

 

Qual é o papel do storytelling no mundo de hoje?

Mais o papel das histórias. As histórias, que hoje convencionamos chamar de ‘Storytelling’, sempre tiveram um papel crucial na comunicação humana. No mundo de hoje, a nossa capacidade de formular histórias, de saber como elas funcionam e, como sempre se fez, manipulá-las para atingirmos determinados objetivos, é o mesmo de a dez ou quinze mil anos: usamos histórias para encantar, para vender o nosso peixe, para dourar a nossa pílula, para inspirar, informar, educar… Pessoalmente, gosto do ‘ENCANTAR’, pois engloba tudo que se posso dizer.

 

 

O que te tornou um storyteller? 

Trabalhava com educação e com histórias, ocupei posições desde as docentes até às de consultor em ambas as áreas. Foi aí que aprendi o poder das histórias. Trabalhei, mais tarde, combinando essas duas realidades, com seleção, edição de histórias e administração de carreiras de pessoas que trabalham com histórias, a maioria deles escritores, mas também editoras. Quando começou a ‘febre’ do Storytelling empresarial eu já estava estabelecido. Aceitei dois ou três convites para congressos de peso, como o CBTD no Brasil e o ASTD, no México e os equivalentes em outros países e, quando vi, já estava estabelecido também junto às empresas. Sempre, felizmente, pude me manter fiel ao que acredito: que histórias são histórias, independentes de onde as usemos e de como as usemos. Também nunca me iludi que o poder das histórias é usado apenas como um instrumento, metade do tempo, é usado como arma. Quem conta a melhor história vence. Isto é cada vez mais evidente. Daí ter surgido gente especialista nisto e naquilo que envolve algum aspecto das histórias. Eu, por minha vez, continuo apenas como Story Consultant.

 

 

Quem são seus storytellers preferidos?

Walt Disney, Stan Lee, George Lucas, Churchill, Tony Blair (e Alistair Campbell por trás dele), J. K. Rowling, E.L. James e todos os grandes contadores de histórias que conseguiram mudar o rumo da Humanidade ou trabalharam para encantá-la. Como estudei História da Literatura, adoro os autores dos livros sagrados. Fico fascinado com a influência que têm coleções de livros como a Bíblia Cristã e as histórias dela derivadas. Eis uma marca/brand que dura por milhares de anos, se considerarmos o Velho Testamento. Como gosto de crer que todos nós somos ‘utilizadores’ natos de histórias, não tenho nenhum ‘herói’ entre quem hoje registra supostas técnicas, fórmulas, jeitos de fazer. O nosso (aqui incluo-me eu) trabalho é transitório. Posso dizer que sei a quem não prefiro: quem oferece fórmulas, milagres, patrocina a desinformação e deformação do que, se adequadamente desenvolvido, poderá fazer desde mundo um mundo melhor.

 

 

Quais os conselhos para quem deseja seguir seus passos?

Estudar e estudar e estudar. É um mercado muito competitivo, repleto de gente que, por inocência ou necessidade de sobreviver, diz, ou finge, que entende de um assunto que, embora intuitivo, tem os seus truques e tradições que podem ser bastante complexos. Há muito pouca gente no mundo que sobrevive como consultor de história. Daria talvez para apenas encher um banheiro médio, caberiam todos num jacuzzi! Um mercado que ainda está inexplorado é o para os consultores que são binacionais, onde me incluo. Como posso circular com gasto e burocracia zero para alguém me contratar em 32 países da Comunidade Europeia e países associados, EUA, Brasil, Japão e por aí vai, e como tenho ainda saúde e disponibilidade para me locomover, tenho sobrevivido. Agora, para quem quiser iniciar do zero, estudar é o segredo, aprender não somente sobre histórias, mas também sobre culturas, línguas e tudo o mais que conseguir. Se puder, não se iludir com o canto da sereia do ganho fácil e pouco ético, que vejo com frequência: o fulano sobe a um palco, ‘informa’ o público sobre a estrutura básica de uma história e se diz ‘storyteller’. Isto é um perigo! Outro dia eu assistia um ‘colega’ e alguém da plateia, filmando, perguntou: “E Kafka?”, “Quem?”, “Kafka…”, “Ah! Não tem nada a ver com o que estou dizendo!”. Só que tinha TUDO a ver… O filminho foi parar no Youtube e o ‘colega’ está fora do mercado. O mundo hoje em dia é cruel. Uma gota de sangue num trilhão de litros já atrai os tubarões. Atualmente se tem que cair no mar tubarão feito, não há muito espaço para sardinhas.

 

 
Qual foi o principal desafio que você já enfrentou na sua carreira?

Voltar a usar o português como instrumento de trabalho depois de uma meia vida a utilizar o inglês. E reaprender a cultura que acompanha a língua. Foi terrível. Numa das primeiras palestras que ministrei no Brasil chamaram-me de ‘grosso’. Não beijei ninguém, ia direto ao ponto; recordo-me que uma autora que era presidente de uma União de Escritoras enviou-me um e-mail dizendo com todas as letras que eu era um mal-educado. E eu era mesmo! Não por querer, mas por desconhecimento. Mas voltei a estudar, a aprender como funciona a cultura dos povos com que trabalho. Hoje atravesso o planeta dos EUA ao Japão, a Europa de norte a sul e o Brasil todos e, em geral, acham que sou doce, bem-educado e aceitam-me, ou toleram-me. Não há desafio pior do que não compreender naturalmente o nosso interlocutor.

 

 

Quais são os principais ingredientes para uma boa história?

Há um que engloba todos: a verdade. Toda a história que seja verdade ou pareça verdade, “vende”.

 

 

Gabriela Kinaske
Gabriela Kinaske
gabriela@bstorytelling.com.br

The relationship between people and marketing is becoming more and more multisensory. This means that the value of a brands exists and is sustained by emotional plans, coexisting with business plans and objectives. Storytelling uses emotional aspects of communication and is one of the most powerful ways to communicate a brand. Giving products and services an identity, by capturing and creating authentic stories, takes the public to an immediate connection. Knowing, understanding and reproducing the story of your brand is a strategy that follows the changes of a highly complex market.

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