A cerveja, o cachorro e o storytelling

puppylove

Cena do comercial Puppy Love da Budweiser

O que acontece quando se junta um cachorro, um cavalo e uma marca de cerveja em um comercial de TV? Uma ótima história!
E foi isso que a Budweiser fez, no que se tornou o comercial mais visto e adorado no Super Bowl desde ano. Na história chamada de “Puppy Love”, um filhote de labrador se torna amigo inseparável de um cavalo da raça Clydesdale.
O cãozinho, vive fugindo do canil para se encontrar com o seu amigo, até que alguém aparece para adotá-lo. Ele é colocado dentro de um carro e inconsolável, o pequeno cachorro apenas olha pela janela do veículo enquanto a fazenda fica cada vez mais distante. Seu amigo, por sua vez, reúne outros cavalos da fazenda, que perseguem o carro se interpõem à frente do veículo o impedindo de prosseguir.
O pequeno labrador e seu amigo inseparável então retornam juntos para casa, e brincam no pasto, onde parecem viver felizes com a improvável amizade.
Mas e a cerveja, onde entra nisso tudo? A marca da Budweiser aparece diversas vezes no boné do dono da fazenda, mas nem teria necessidade, afinal, o que importa é a história de amizade entre os dois personagens principais.
Esta maneira de anunciar marcas e produtos, utilizando-se do storytelling, está se tornando cada vez mais comum. Um artigo a ser publicado em outubro pelo The Journal of Marketing Theory and Practice, o pesquisador Keith Quesenberry da Universidade Johns Hopkins, previu e acertou que o comercial da Budweiser seria o mais visto e querido pelo público este ano. Keith, chegou a esta conclusão, após um estudo de dois anos, além de analisar 108 comerciais exibidos durante os intervalos do Super Bowl.
O pesquisador analisou as principais estratégias de marketing utilizadas em campanhas, como bichos fofinhos, apelo sexual e humor, constatando que o storytelling chamava mais a atenção dos espectadores.
Os cinco comerciais mais vistos e mais votados pelo público utilizaram-se de storytelling para contar as suas histórias.
Não surpreende que comerciais com narrativas estejam conquistando o público, afinal, contamos histórias desde sempre, o que surpreende é o fato de o marketing ter demorando tanto tempo para perceber a ferramenta poderosa que tem nas mãos.
Grandes histórias têm muito em comum com este comercial, como por exemplo, o modo como se apresenta um objetivo e segue com ele até o final, prendendo assim a atenção do público.
Outros fatores também foram determinantes para o sucesso da ação, tais como a tensão que vai se somando a cada dificuldade encontrada pelo filhote e as barreiras que surgem quando o pequeno canino tenta ficar junto de seu amigo. Isto sem perder o contexto e o clímax no final, quando os cavalos galopam rumo ao resgate do amigo cachorro.
A história está sempre bem focada e não perde tempo com personagens sem importância. Ali, cachorro é o personagem principal, por isso o filme começa e termina com o pequeno labrador.
No contexto da campanha, a mensagem é muito maior do que simplesmente a amizade mostrada. Nem é preciso dizer que cerveja não se bebe sozinho, isto é mostrado sutilmente na história. As campanhas da Budweiser são focadas em temas que valorizam a amizade e compartilhamento de momentos especiais.
A ideia é mostrar que seu produto, quando aberto, traz a emoção positiva que se precisa para desfrutar destes momentos com amigos (buds – termo em inglês que se associa a amigos e fazendo alusão à própria cerveja que é chamada simplesmente de Bud).
Gosto de ver quando marcas investem em histórias para vender seus produtos, isto valoriza mais a própria marca, além de consolidá-la gradativamente a cada ação, fazendo com que a venda do produto acabe sendo consequência da imagem que está sendo passada.

* Este texto foi produzido em co-autoria com o Filmmaker e sócio da B! Storytelling – Thiago Amadigi.
Por Gisele Meter, Storyteller e Co-founder da B! Storytelling. Publicado originalmente no Administradores
Thiago Amadigi
Thiago Amadigi
thiago@bstorytelling.com.br

Co-founder da B! e filmmaker. Star wars, vídeo game e Madonna, sempre. Tenho dificuldades para me equilibrar na cadeira do escritório. Gosto de discutir os grandes temas da vida: MasterChef, política e cinema. Nessa ordem.

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